domingo, 29 de outubro de 2017

Oeste

Jovens e Peras

Subindo de árvore em árvore
Comendo à sombra mal plantada de um qualquer pomar
Bebendo água morna de um qualquer receptáculo mal lavado
Mãos  braços e pernas repletos de arranhões taciturnos
Que mal chegam a ser desenhos

Assim se fazem oito ou mais horas de trabalho mal pago
Com uma geração nova e intelectual
Num Oeste caduco e desertificado
Onde a vida e a morte acontecem
Sem sintoma nem sobressalto



                                       

2 comentários:

  1. O que vale é que as peras nascem sem recurso ao SNS. Qualquer trator em outsourcing faz as ecografias "químicas" dos pomares 3/4 vezes por ano. Os fazendeiros não precisam de se mostrar. Nem sequer para a colheita; os apanhadores transportam os recém nascidos para a cooperativa. Só precisam de receber o dinheiro, queixarem-se de que o ano foi mau...e continuarem desaparecidos.

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